| Lipoaspiração tumescente
A crescente demanda por eliminação de gorduras indesejadas
levou à massificação da lipoaspiração.
Todavia, os riscos inerentes à técnica desencorajam
muitos a se submeterem a este procedimento.
A lipoaspiração tumescente veio preencher esta lacuna.
Como ela é realizada unicamente com anestesia local, os riscos
relacionados à anestesia geral são eliminados.
História
Esta técnica foi desenvolvida pelo dermatologista norte-americano
Jeffrey Klein, em 1985, sendo difundida através de uma série
de publicações científicas. Desde então,
estima-se que em torno de um milhão de lipoaspirações
tumescentes já tenham sido realizadas em todo o mundo, sem
nenhuma morte relatada.
O que é
É uma técnica aspirativa de gordura realizada exclusivamente
com anestesia local. A lipoaspiração tumescente se
diferencia da lipoaspiração tradicional basicamente
pela infusão de uma solução anestésica
especial, denominada anestesia tumescente de Klein.
Esta solução tem como base a lidocaína (mesma
substância utilizada na anestesia dentária tradicional)
infundida em grandes volumes mas em alta diluição,
associada a produtos que provocam diminuição do sangramento
no local e neutralizam a fórmula. Desta maneira, além
de dispensar a anestesia geral, o sangramento é mínimo.
Indicação
É uma opção eficaz para retirada de áreas
restritas de gordura cutânea. Os resultados costumam ser excelentes,
e a segurança da solução de Klein em termos
de danos ao organismo e sangramento é um aspecto de grande
importância. Entretanto, ela tem algumas limitações.
Como a anestesia é local, a quantidade de gordura removida
é limitada. Geralmente, não mais que dois litros por
sessão.
Portanto, a lipoaspiração tumescente é uma
ótima técnica para pessoas que apresentam gorduras
localizadas sem serem obesas.
Onde é realizada
A lipoaspiração tumescente é um procedimento
cirúrgico que deve ser realizado em ambiente que comporte
cirurgia estéril. Se a condição clínica
do paciente for boa e a área a ser tratada restrita, pode
ser realizado em sala de cirurgia não hospitalar.
Embora a lipoaspiração tumescente seja realizada
com o paciente acordado e totalmente lúcido, indivíduos
muito ansiosos podem necessitar de sedação ao longo
do procedimento. Nestes casos, a cirurgia deve ser realizada em
ambiente hospitalar, com a presença de anestesiologista.
Avaliação pré-operatória
Antes da cirurgia, é de grande importância que haja
interação entre o cirurgião e o paciente, já
que o sucesso depende de ambos. Pacientes excessivamente ansiosos
ou com expectativas pouco realistas sobre os resultados a serem
alcançados, devem ser desencorajados a ser operados.
Nesta consulta, é avaliada a qualidade e quantidade de gordura
e proposta a melhor alternativa de tratamento. Usualmente, é
requisitado um risco cirúrgico completo, preferencialmente
realizado por um cardiologista. As medidas e as fotos das áreas
a serem tratadas podem ser tomadas neste dia ou no dia da cirurgia.
É conveniente banho com sabonetes anti-sépticos desde
três dias antes do procedimento. Uso prévio de medicações
homeopáticas, como a arnica, pode diminuir o avermelhamento
após o procedimento.
Quando não é administrada sedação,
não há necessidade de jejum, mas alimentos "pesados"
devem ser evitados. Alho também deve ser evitado, por aumentar
o tempo de sangramento, bem como medicamentos antiinflamatórios
ou que contenham ácido acetil-salicílico.
Nesta consulta, será indicada a malha contensora (cinta)
ideal para ser comprada. Particularmente, é interessante
ter duas destas, por questões de higiene.
O dia da cirurgia
Embora alguma ansiedade seja comum, se esta for em excesso é
melhor adiar a cirurgia. É bom comparecer ao local da cirurgia
em trajes leves e acompanhado por alguém de boa vontade e
que transmita tranqüilidade.
O procedimento demora em média 150 minutos e deve ser feito
sem interferência externa. O curativo final será envolto
pela malha contensora (cinta), portanto é fundamental que
o paciente não se esqueça de levá-la. É
importante também que o paciente não esteja bronzeado
no dia da lipoaspiração.
O pós-operatório
Os cuidados pós-operatórios são tão
importantes quanto a cirurgia em si. Exposição ao
sol deve ser evitada por pelo menos dois meses após o procedimento.
Atividades físicas leves normalmente podem ser realizadas
duas semanas após.
A cinta costuma ser mantida por um mês, sendo que na primeira
semana, ela só deve ser retirada para o banho. O retorno
às atividades cotidianas (trabalho, estudo) é muito
variável, dependendo da pessoa e do esforço, podendo
variar de três a quinze dias.
Num primeiro momento, podem haver áreas avermelhadas e endurecidas,
que desaparecem espontaneamente. É comum a área ficar
dolorida nos primeiros dias. Analgésicos costumam ser prescritos
e o repouso ajuda bastante.
Devido à infiltração da solução
de Klein, nos primeiros dias a aparência é de aumento
de volume. Na medida que o líquido vai sendo eliminado pela
urina, o resultado começa a aparecer. Em geral, em um mês
este já é total, sem manchas ou irregularidades. Drenagem
linfática manual pode ser feita a partir da segunda semana,
mas não deve ser considerada como essencial.
Complicações
Quando realizada pela técnica clássica de Klein,
é desprezível o índice de complicações
graves, nenhuma descrita como debilitante ou fatal. Devido a solução
tumescente infundida, o sangramento é mínimo, não
sendo necessário nem transfusão nem estocagem de sangue.
O uso de microcânulas parece ser o responsável por
uma maior homogeneidade do contorno, todavia, é possível
alguma irregularidade e ser abordada num segundo momento. Hematoma
não é comum, mas pode ocorrer, devendo ser drenado.
Seromas são mais freqüentes e, em geral, desaparecem
espontaneamente em um mês. Enjôo ou tonteira após
o procedimento por vezes ocorre, devendo o primeiro banho ser tomado
acompanhado.
Em linhas gerais, quando o procedimento é realizado de acordo
com a descrição consagrada de Klein (20 anos de lipoaspiração
tumescente), sua segurança é enorme e a satisfação
costuma ser elevada. Por questões de marketing, "inovações"
à lipoaspiração tumescente vêm sendo
divulgadas na mídia. A segurança aqui descrita reside
no emprego da técnica tradicional.
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assuntos de estética
Colaboração: Dr.
Flávio Luz - Dermatologista
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