| Plástica cirúrgica
com os dias contados
A cirurgia plástica já não é mais a
mesma. Com o avanço da tecnologia da beleza, o bisturi começa
a perder lugar para injeções e procedimentos menos
invasivos, que dispensam cortes, anestesias e dias de recuperação.
O resultado, que divide dermatologistas e cirurgiões plásticos,
é um visual mais natural, mas nem sempre tão eficaz
ou sem riscos à saúde.
O medo de mexer, cortar, puxar e não ficar bom tem feito
pacientes evitarem a plástica, preferindo injeções
de toxina botulínica, ácido hialurônico (preenchimento
que é febre em clínicas e consultórios), sessões
de laser para melhorar a aparência da pele e de aplicações
de ácido polilático - para rugas, cicatrizes e flacidez.
Com tudo isso - apenas uma parte do que está disponível
para mulheres dispostas a pagar entre R$ 500 e R$ 7 mil por aplicação
- “entrar na faca” aparece como o último recurso,
e geralmente associado a outros tratamentos, em áreas menores
e com cicatrizes pequenas.
Aparência "plastificada"
A procura se reflete nos consultórios. Enquete feita pela
Sociedade Brasileira de Dermatologia com seus associados registrou
um aumento de 30% na procura pelos métodos não invasivos
nos consultórios, entre 2004 e 2005.
Segundo os médicos, isso se deve a três fatores: o
desenvolvimento da indústria, que lança a cada mês
novos produtos, a falta de tempo para encarar internação
e cuidados pós-operatórios e a busca de uma aparência
mais natural, menos “plastificada”.
“Nos últimos anos surgiram técnicas para abordar
o envelhecimento sem agredir tanto a pessoa, sem mudar os traços
e sem tirá-la de seu trabalho. Com a divulgação,
os pacientes já chegam pedindo o que querem no consultório
e evitam as plásticas”, afirma a dermatologista Luciana
Lourenço, professora da Faculdade de Medicina do ABC e conselheira
da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Ela explica que, depois do botox, os preenchimentos não
definitivos, feitos com produtos que são absorvidos pelo
organismo, são os mais procurados. “Se a pessoa não
gostar, é só não refazer. E são aplicados
em várias partes do rosto”, explica.
Preenchimento do Sulco Naso-Geniano
Para a dermatologista Flávia Martelli, são os pacientes
na faixa dos 40 a 60 anos os que mais procuram alternativas à
plástica. “Isso vem aumentando mesmo. É comum
o paciente chegar e falar que gostaria de fazer alguma coisa que
adiasse ou evitasse a cirurgia plástica”.
Ressalvas
Mas as vantagens e benefícios apontados pelos dermatologistas
são vistos com ressalva pelos cirurgiões plásticos.
Segundo eles, os métodos não invasivos podem retardar
uma cirurgia, mas não evitá-la nem substituir seus
efeitos.
“Procedimentos como esses nunca vão substituir uma
cirurgia, são coisas complementares, depende da indicação
do paciente. O que acontece é que no Brasil a gente compra
muito o que vem dos Estados Unidos, e lá eles dizem que os
procedimentos estão acabando com as plásticas”,
defende Oswaldo Saldanha, presidente da Sociedade Brasileira de
Cirurgia Plástica.
Saldanha enfatiza ainda os riscos associados ao excesso de aplicações.
“As pessoas pensam que porque não tem cortes, é
seguro, não estão correndo nenhum risco, o que é
uma ilusão”, diz. Ele afirma que mesmo mais bem informados,
os pacientes ainda são enganados por “falsas promessas”,
como a bioplastia, por exemplo (veja
matéria). “A gente tem sempre de repetir que não
existem milagres”.
Fonte: TecnoCientista Online (17/07/2006).
Saiba mais sobre toxina
botulínica, ácido
polilático e preenchimento
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