Brasil será o último país a eliminar a hanseníase
Em seis meses, o Brasil será o único país do mundo que não atingiu a meta de eliminar a hanseníase, afirmou o embaixador da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a eliminação da hanseníase.
Segundo ele, o Nepal --que também não eliminou a doença-- apresenta uma curva decrescente de casos novos e antigos, e estima-se que eles eliminarão a doença até maio de 2009.
A hanseníase é transmitida pelas vias aéreas e afeta a pele e os nervos, provocando inflamação e perda da sensibilidade.
Eliminar uma doença é diferente de erradicá-la. Segundo a OMS, é considerada eliminada uma enfermidade que tenha registro de menos de um caso para cada 10 mil habitantes por ano. Este é um indicador que leva em conta o número total de casos (novos e antigos). Erradicar a doença é não ter mais nenhum registro.
Falta boa vontade para eliminar a hanseníase
Para o embaixador da OMS, o Brasil tem condições para eliminar a hanseníase, mas ainda "falta boa vontade". "O país tem recursos humanos e o medicamento é grátis. O que falta é determinação para resolver definitivamente a questão.
"Outros países atingiram a meta, então é uma questão de honra para o Brasil eliminar a doença", afirmou o embaixador em visita ao país.
O Brasil ainda mantém uma taxa muito alta de casos da doença. São cerca de sete ou oito casos para cada 10 mil habitantes, o que levaria a cerca de dez anos para eliminar a doença.
É preciso saneamento básico e educação
Para mudar estes números é preciso investir fortemente em políticas de saneamento básico, higiene, educação e monitoramento dos pacientes. O problema do Brasil é a falta de profissionais capacitados para fazer o diagnóstico precoce da doença e o controle adequadamente.
Os países desenvolvidos eliminaram a doença antes mesmo de existirem medicamentos, só com mudanças na qualidade de vida, na alimentação e nas questões de higiene e vigilância sanitária.
Fonte:
Folha Online - SP (24/11/2008)
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