Tratamento de herpes traz bons
resultados
Tratamento desenvolvido
pelo Serviço de Imunologia da Santa Casa de Misericórdia do RJ,
que combina o BCG com o vírus do herpes, é uma esperança
para quem sofre da doença. A substância já foi usada em
84 pacientes, e vem dando bons resultados: a maioria se vê livre das feridas
ou as têm com menor frequência ou de forma mais branda.
Segundo o chefe do serviço,
o imunologista Luiz Weber-Bandeira, a associação do BCG diluído
com as proteínas do vírus pode ser utilizada por quem tem herpes
simples de repetição, ou seja herpes labial ou genital recorrentes,
e em qualquer fase da doença.
O objetivo é estimular
o sistema imunológico a atuar contra a infecção, pois ainda
não existe vacina contra o herpes.
Uma minoria dos que passaram
pelo tratamento não obtiveram sucesso, diz Weber-Bandeira. São
pessoas que apresentam resistência ao vírus muito baixa. Ele disse
que 98% da população mundial têm o vírus, mas nem
todas desenvolvem os sintomas.
O estudo da equipe do imunologista
foi concluído recentemente. Ele lembrou que outras substâncias
já foram tentadas contra o herpes. "Há muito tempo se costuma
injetar variações suaves do vírus do herpes para estimular
a defesa do organismo contra a doença. Mas em grande parte dos pacientes
este procedimento não consegue provocar o estímulo desejado".
Idéia vem desde a década de 80
A idéia de associar
o BCG - um dos maiores estimulantes do sistema imune - saiu de um estudo venezuelano
realizado na década de 80, cujo autor - Jacyntho Convit - descobriu que
o bacilo era útil no controle da lepra e da leishmaniose.
Na Santa Casa, o tratamento
está sendo utilizado há cerca de 4 anos, gratuitamente. Além
das 84 pessoas que já foram assistidas, outras 85 estão sendo
submetidas à terapia atualmente.
O tratamento
A substância deve
ser administrada, via sub-cutânea, 2 vezes por semana, durante um período
médio de nove meses. As aplicações podem ser feitas pelos
próprios pacientes. A cada 2 meses eles são submetidos ao chamado
teste de desafio da resistência, para que os médicos verifiquem
como está a defesa do organismo.
Os resultados obtidos pelos
autores serão apresentados nos congressos brasileiros de Imunologia e
de Alergia, ambos no final do ano.
Fonte:
Tribuna da Imprensa - RJ (01/05/2004).
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