Diagnóstico da hanseníase
à distância
Universidade de São Paulo vai testar
projeto piloto
A Faculdade de Medicina
da Universidade de São Paulo está desenvolvendo, em parceria com o Ministério
da Saúde e a Organização Panamericana de Saúde (OPAS), um projeto-piloto para
validar o diagnóstico à distância da hanseníase.
O Telehanseníase, também
chamado de Telemedhansen, foi lançado em Manaus durante a 1ª Jornada de Telemedicina
da Amazônia. "A idéia é criar um ambulatório virtual, ou cyberambulatório,
que reúna informações teóricas sobre o diagnóstico e o tratamento da hanseníase,
além de dados epidemiológicos e histórico de casos mais complexos", explica
Maria Ângela Bioconcini Trindade, professora doutora de Dermatologia da USP.
Participarão do projeto
oito unidades de atendimento básico de saúde da periferia do município de
São Paulo. Os médicos enviarão ao Hospital das Clínicas (HC), pela internet,
a ficha do paciente com suspeita de hanseníase e as fotos das manchas presentes
na pele dele. O material será recebido e avaliado por médicos residentes,
antes de ser repassado para o médico coordenador, que emitirá o diágnóstico
à distância (conhecido como segunda opinião).
Amazônia tem o maior número de casos do
país
Até 15 de janeiro deste ano, 30.693 casos de hanseníase estavam sendo tratados
no país. Isso significa uma média de 1,71 doente por cada 10 mil habitantes.
A maior parte dos casos (41%) está na Amazônia Legal. Maranhão, Pará e Mato
Grosso são os três estados com maior número de contaminados.
Ela informa ainda que
a avaliação do projeto-piloto e a publicação dos seus resultados serão feitas
após o atendimento de 100 casos, o que deve ocorrer até outubro. A proposta
é implantar o Telehanseníase na Amazônia Legal, em parceria com o Sistema
de Proteção da Amazônia (Sipam) e o Conselho Federal de Medicina (CFM). O
Sipam possui 800 terminais de usuários remotos em toda a Amazônia Legal –
pontos conectados entre si via satélite para comunicação por telefone e internet.
Preconceito é barreira para atingir meta
O preconceito tem sido
uma barreira para que o Ministério da Saúde consiga atingir a meta estabelecida
pela Organização Mundial de Saúde (OMS) de diminuir até dezembro a ocorrência
de hanseníase para menos de 1 caso a cada 10 mil habitantes. Os
profissionais treinados têm um estigma em relação à doença.
No ano passado, o Programa
Nacional de Eliminação da Hanseníase (PNEH) do ministério treinou equipes
do Programa de Agentes Comunitários de Saúde e do Programa Saúde da Família
(PSF) para diagnosticar e tratar a hanseníase. O número de equipes treinadas
cresceu 118%: passando de 2.880 (em dezembro de 2003), para 6.274 (em agosto
de 2004). Eles alegam que não atendem hanseníase porque não se sentem seguros.
No entanto, aprenderam que o diagnóstico e o tratamento são fáceis.
Fonte:
Agência Brasil - DF (Thais Brianezi).
Saiba mais sobre a hanseníase
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