Função
de barreira da pele X estresse
A manifestação na pele de situações
emocionais, ainda que conhecida de todas as pessoas, até
alguns anos atrás não era levada a sério pela
medicina oficial. Parecia muito mágico que apenas pensamentos,
que são intangíveis, ou emoções, que
não tem uma definição precisa de sua natureza,
pudessem produzir alterações de tal monta que propiciassem
o aparecimento de doenças da pele.
Gradativamente, porém, os caminhos seguidos pelos processos
mentais até as células cutâneas vêm sendo
elucidados. Já está claro que as células de
todo o corpo se comunicam umas com as outras por meio de diversos
tipos de sinais, como elétricos, químicos, pressão
e até pela luz. A comunicação química
é a que vem sendo mais pesquisada, sendo hoje evidente que
pensamentos são transformados em mensageiros químicos
e estes são levados aos receptores celulares pelos nervos
e pela corrente sanguínea.
Permeabilidade cutânea
Entre as diversas funções da pele existe aquela que
regula a passagem de água. É esta função
que permite que a água seja retida pela pele ou que haja
eliminação através dela em casos de aumento
da temperatura corporal pelo calor ambiental ou por esforço
físico. É chamada função de barreira
da permeabilidade cutânea.
Uma pesquisa na revista Archives of Dermatology, focalizou a função
de barreira da pele em relação ao estresse psicológico.
Submetendo estudantes de medicina, odontologia e farmácia
a uma alteração da função de barreira
por descamação da pele com fita adesiva, verificaram
que a recuperação da função da pele
era mais rápida em períodos de menor tensão
emocional, sendo que o maior prejuízo se deu nos indivíduos
que se reconheceram com maior estresse psicológico.
Este fato começa a lançar luz sobre como o estresse
pode levar a distúrbios na função epidérmica,
que funcionam como desencadeantes de dermatoses inflamatórias
das quais a disidrose
(distúrbio da eliminação de suor nas palmas
das mãos), a psoríase,
a dermatite
atópica (eczema infantil) e a alergia
por contato são os exemplos mais comuns.
Obviamente, falta esclarecer como exatamente as células
cutâneas tomam conhecimento do pensamento de estresse. Sabe-se
que terminações nervosas, que atingem a epiderme,
liberam comunicadores químicos, que vão ocasionar
espessamento da epiderme, ativação de suas células
imunitárias e inflamação. Toda a seqüência
de fatos ainda não foi revelada, mas fica comprovado que
existe nexo entre o estresse e a perturbação da função
de barreira da epiderme, o que facilita a instalação
de diversas doenças.
Redução do estresse
Os pesquisadores, cautelosamente, concluem que, se esses resultados
forem confirmados por outros estudos, ficará fundamentada
a adequação de incluir técnicas de redução
de estresse no tratamento de muitas dermatoses comuns.
Isso vai implicar a necessidade de os dermatologistas dominarem
algumas dessas técnicas para poderem aplicar em seus pacientes,
como biofeedback ou hipnose, ou de ensinarem técnicas autoaplicáveis,
como respiração diafragmática, relaxamento,
meditação, visualização ou, ainda, de
encaminharem os pacientes para complementarem os tratamentos medicamentosos
ou cirúrgicos com psiquiatras, psicólogos ou psicanalistas.
Saiba mais sobre respiração
diafragmática, relaxamento,
meditação
e visualização.
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Colaboração:
Dr. Roberto Azambuja - Dermatologista |