As doenças
da pele que mais provocam estresse
A acne é a dermatose que mais cria estresse em seus portadores,
porque se localiza no rosto, que não pode ser escondido da
vista dos outros e porque é extremamente comum, atingindo
quase 100% dos adolescentes e um grande número de adultos.
Uma elevada percentagem de pessoas com acne sente vergonha, medo,
impaciência e raiva por causa dos cravos e espinhas e alguns
se retraem, sentem timidez e se afastam de convívio com grupos,
em virtude dos sentimentos negativos que desenvolvem devido à
doença.
A calvície,
que afeta 65% dos homens, é motivo de grande insatisfação
e de diminuição da autoestima, gerando preocupação
e um nível de insatisfação que obriga os pacientes
a procurar todo tipo de tratamento e a submeter-se mesmo a transplantes
de cabelos. Pior ainda é a calvície feminina, que
atinge somente 10% das mulheres. As visões desastrosas que
suas vítimas alimentam originam uma tensão realmente
importante, mesmo quando se trata de simples queda de cabelos causada
por motivos diversos como pós-parto, oleosidade excessiva
ou dietas mal orientadas.
Situação embaraçosa vivem os portadores de
hiperidrose
palmo-plantar ou axilar. São pessoas que suam abundantemente
nas mãos e pés ou nas axilas ou nas três áreas.
Neles existe uma hiperatividade das glândulas sudoríparas
dessas regiões, que são acionadas pelo calor e pela
tensão emocional. De modo que, sempre que passam por tensões,
mínimas que sejam, começam a suar profusamente. Esta
situação lhes cria nova tensão, que realimenta
o estímulo à secreção de suor. Daí,
passam a ter medo de suar em ocasiões futuras em que precisariam
estar com as mãos secas. Basta este pensamento para voltarem
a suar. Portanto, o suor cria estresse e este aumenta o suor.
Por outro lado, há as pessoas que têm as mãos
secas demais e, em conseqüência, grossas, escamosas e
rachadas. Este quadro, chamado ceratose palmar,
também provoca tensão pelo receio de ter que apertar
a mão de outra pessoa e esta ter sensação desagradável.
A rosácea,
que é uma alteração que se localiza no rosto
e se acompanha de pápulas, semelhantes às da acne,
chama a atenção pela coloração vermelho
vivo ou vermelho arroxeado das faces. É inevitável
que os outros perguntem o que houve com o rosto da portadora (a
maioria dos afetados por esta dermatose é do sexo feminino).
Daí, vem a tensão por a pessoa saber que terá
que enfrentar perguntas indiscretas.
A dermatite
atópica, doença alérgica que surge logo
nos primeiros três meses de idade com eczema extenso e que,
com o passar dos anos, tem a tendência a circunscrever-se
às dobras dos cotovelos e dos joelhos, é outro exemplo
de fonte de estresse. O problema desta dermatite é o prurido
intenso que a acompanha. Em alguns pacientes, a erupção
persiste generalizada após a puberdade e pela vida em fora.
A pele fica avermelhada, com pequenas bolhas e eliminação
de líquido nas fases agudas e muito ressecada nas fases crônicas.
O estado da pele e a coceira levam a um grau muito alto de impaciência
e tensão.
Doença extremamente incômoda e bastante enervante
é a psoríase, que se constitui de placas avermelhadas
e escamosas, geralmente acompanhadas de coceira. Ocorre em qualquer
parte da pele, principalmente no couro cabeludo, causando uma descamação
abundante esbranquiçada, que provoca embaraço no doente.
Acresce o fato de não ter ainda uma cura medicamentosa, desenvolvendo-se
por surtos, que estão muito relacionados com o estado emocional.
O próprio paciente informa que piora sempre que passa por
alguma crise de tensão. O fato de não poder controlar
o surgimento de lesões em novos surtos, a ausência
de perspectivas de cura e o prejuízo para a imagem corporal
são fatores de mais estresse, que vai agravar o quadro clínico.
A doença responsável por mais estresse é paradoxalmente
aquela com menos incômodo físico, pois que não
causa dor nem alteração da superfície da pele
e poucas vezes provoca prurido, assim mesmo muito leve. É
o vitiligo,
que se caracteriza por manchas brancas oriundas da perda da pigmentação
da pele. Fisicamente, não há nenhum prejuízo
para o paciente. O problema do vitiligo é estético.
Entretanto, a quantidade de pensamentos negativos que a presença
das manchas gera é assombroso e constitui a questão
central da doença. O sentimento mais presente nos pacientes
é o medo de que as manchas aumentem e tomem toda a pele.
Embora haja tratamentos e possibilidade de cura, a pessoa fica permanentemente
assaltada por visões de despigmentação generalizada
e repulsa por parte dos outros.
Qualquer doença da pele pode ser fonte de tensão,
principalmente doenças que exigem sérios cuidados,
como hanseníase, lupus eritematoso, doenças bolhosas.
Estas são, porém, menos comuns do que as citadas,
que, pela freqüência, são responsáveis
pela maior carga emocional nos pacientes.
Como lidar com o estresse causado pelas dermatoses
Em todos esses casos, o estresse só agrava a doença
pela depressão imunitária que os hormônios adrenalina
e cortisol provocam. É imperioso reduzir o estresse ao mesmo
tempo que se trata dos sintomas e das alterações físicas
da doença. Todos os recursos que ajudarem a diminuir o nível
de tensão, seja farmacológicos ou não farmacológicos,
como respiração, exercícios de relaxamento
e de visualização, psicoterapias, devem fazer parte
do tratamento, mesmo sabendo-se que o alívio definitivo só
se dará com a cura da doença. Tudo o que concorre
para bem-estar, satisfação, alegria e descontração
é benéfico ao organismo e promotor de cura e saúde.
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Colaboração:
Dr. Roberto Azambuja - Dermatologista |