A emoção
por trás da doença
Tudo o que se vive envolve algum tipo de emoção.
As doenças são situações que sempre
disparam emoções e, muitas vezes, são antecedidas
de emoções de tal significância que podem ser
tidas como provocadoras da doença. Não se sabe em
que nível as emoções participam da geração
da enfermidade. Pode ser até que todas as doenças,
que não as genéticas, tenham, na sua origem, emoções
represadas ou mal solucionadas.
No estado atual dos conhecimentos e das possibilidades de investigação,
não é possível garantir quando emoções
tiveram papel ativo no desencadeamento de uma doença ou não.
Entretanto, fatos circunstanciais levam a acreditar que efetivamente
em certas situações estados emocionais específicos
tiveram pelo menos uma estreita relação com a doença.
A ligação anatômica das
emoções
As emoções podem ser a conexão entre a mente
e o corpo, porque as substâncias químicas que controlam
nosso corpo e nosso cérebro são as mesmas que participam
das emoções, segundo a pesquisadora Candace Pert,
descobridora de diversos mensageiros químicos conhecidos
como neuropeptídios. As áreas do cérebro que
controlam as emoções são especializadas - algumas
para emoções positivas, como o nucleus accumbens,
e outras para emoções negativas, como a amídala.
Dessas áreas, seguem fibras nervosas para o hipotálamo
e para o tronco cerebral. Conforme a Dra. Esther Sternberg, diretora
do Programa Integrativo Neuroimunológico do Instituto Nacional
de Saúde Mental dos EUA, os centros emocionais estão
ligados, acima, aos sinais que chegam do ambiente e, abaixo, aos
centros motores, tornando-nos aptos a responder aos sinais conforme
o estímulo do momento. Dessa maneira, as emoções
interferem no funcionamento do organismo.
Resultado negativo
Temos dois casos clínicos da mesma doença com resultado
diverso em situações semelhantes.
O primeiro é um paciente de 12 anos com vitiligo no rosto,
que vem expandindo-se rapidamente nos últimos dois anos.
Começou aos oito anos de idade, quando os pais se separaram.
Era muito afeiçoado ao pai e sofreu muito sua ausência.
Por dois anos, o pai não deu assistência , mas o paciente
alimentava esperança de que houvesse uma reconciliação
entre a mãe e o pai e este voltasse para seu convívio.
A mancha iniciada aos oito anos permaneceu estável até
o momento em que ficou sabendo que o pai tinha casado com outra
pessoa, o que matou a esperança que nutria. Desde então,
as manchas passaram a aumentar e tomaram grande extensão
do lado direito do rosto.
Nenhum outro episódio patológico importante ocorreu
neste paciente nesses momentos de surgimento da mancha e de sua
expansão. A coincidência com ocasiões de emoção
com grave conotação negativa pode ser o elemento desencadeante
e agravante do quadro clínico.
Resultado positivo
Outro paciente, este de 15 anos, tem manchas de vitiligo desde
os três anos de idade. Nessa época, a mãe vivia
com uma pessoa que não era o pai do paciente. Era alcoólatra
e tratava muito mal a ele e à mãe. O paciente tinha
muito medo dele e vivia em constante sobressalto. As manchas de
vitiligo expandiam-se continuamente, tendo atingido o dorso, membros
superiores, rosto e pernas. Essa situação perdurou
até dois anos atrás, quando a mãe separou-se
dessa pessoa. A partir desse momento, o paciente sentiu-se aliviado,
tornou-se alegre e comunicativo e as manchas, que aumentavam, estabilizaram-se
e entraram em processo de repigmentação.
Diante dessa melhora, como costuma acontecer, o paciente relaxou
o tratamento e suspendeu a medicação. Há mais
de um ano, não faz tratamento; não obstante, as manchas
continuam a regredir, estando já com algumas manchas cem
por cento recuperadas e outras com 90% de repigmentação,
a caminho da cura.
A concomitância da instalação das manchas e
do início da cura com dois momentos emocionais significativos,
um com carga negativa e o outro com carga positiva, faz-nos crer
que eles efetivamente têm relação com os fatos
físicos, o que coincide com relatos de inúmeros pacientes.
Ressalte-se que é incomum que o vitiligo regrida espontaneamente.
Só temos observado esse comportamento da dermatose em pacientes
nos quais se identifica algum estado emocional relacionado com as
manchas.
Desfechos opostos
Por trás da doença desses pacientes, que era a mesma
em ambos, havia emoções intensas, provocadas por eventos
de grande impacto na vida de qualquer pessoa, como a perda de um
familiar e a convivência com familiar incômodo do qual
não é possível afastar-se. O desfecho oposto
dos fatos levou a emoções diferentes e ao agravamento
do quadro num paciente e ao melhoramento no outro.
Assim como esses casos, talvez a relação com emoções
no desencadeamento de doenças seja muito maior do que a medicina
considera. Embora os instrumentos de medição atuais
ainda não consigam demonstrar isso fisicamente, os fatos
observáveis fornecem fortes indícios de que algum
nexo existe, em muitos casos, entre a emoção e a doença.
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Colaboração:
Dr. Roberto Azambuja - Dermatologista |