A comunicação
celular
Vamos especificar um pouco mais o que foi dito no número
anterior sobre os processos de comunicação entre as
células, descobertas extraordinárias, que estão
mudando conceitos sobre saúde, doença e cura e sobre
os rumos da própria medicina. Por causa delas, a medicina
do século XXI será essencialmente diferente da do
século que passou.
Pesquisadores perceberam, por uma série de experiências,
que pensamentos eram capazes de estabelecer as condições
de funcionamento do sistema imunitário, que deve proteger
o organismo contra agressões externas, diferenciar o que
é próprio do que é estranho e manter o equilíbrio
interno.
Verificaram que animais de laboratório, submetidos a condições
diversas de estresse, tinham uma queda acentuada na função
imunitária. Isso os expunha a mais doenças e, muitas
vezes, determinava sua morte. Entre seres humanos, comprovou-se
que pessoas que viviam em tensão psicológica elevada
tinham mais surtos de resfriados, que duravam mais dias, do que
pessoas com baixo nível de tensão psicológica.
Percebeu-se, então, que o sistema imunitário é
manipulado pelo sistema nervoso sob a influência dos pensamentos.
Daí, surgiu o campo de pesquisas chamado psiconeuroimunologia.
Numa observação com homens, que cuidaram de suas
esposas com câncer de mama em estado terminal, evidenciou-se
que seu sistema imunitário estava em ordem até a morte
das mulheres. A partir daí, apresentava diminuição
de sua capacidade funcional, o que acarretava o adoecimento dos
homens e a morte de diversos deles.
Os cientistas indagaram, diante disso, como o sistema imunitário
tomava conhecimento da tristeza e aparentemente ficava triste também.
Receptores e mensageiros
Sabia-se que as células imunitárias tinham moléculas
proteicas na sua superfície, chamadas receptores, encarregadas
de captar moléculas de substâncias que circulam pelo
corpo. Pesquisas revelaram, porém, que esses receptores estavam
espalhados também pelo cérebro, medula espinhal, rins,
intestinos e, finalmente, por todos os tecidos do organismo. E que
eram capazes de reconhecer qualquer tipo de substância que
o organismo produzisse.
Depois, começaram e ser descobertas as substâncias
químicas produzidas no cérebro pelos pensamentos e
que eram enviadas a todas as células e reconhecidas pelos
receptores. Essas substâncias, chamadas neurotransmissores
formam, juntamente com os receptores celulares, o que a bióloga
Candace Pert descreveu como uma rede psicossomática de comunicação
mente-corpo.
Traduzindo: esses mensageiros químicos
produzidos no cérebro pelos pensamentos viajam também
através dos nervos e levam as células a funcionar
conforme as notícias que carregam, como se fossem carteiros
a entregar cartas com notícias boas ou más.
Isso clarifica como tensões, tristeza, depressão,
raiva e outros estados emocionais podem desencadear doenças.
Por trás de cada condição dessas estão
os pensamentos, que as estimulam. As células são bombardeadas
durante longos períodos por mensagens de tensão, que
alteram para pior seu funcionamento. A conseqüência natural
é seu desequilíbrio progressivo e a formação
do que se chama doença, que primeiro se manifesta no funcionamento
para, depois, provocar mudanças na estrutura
A pele recebe, pelas terminações nervosas, os mensageiros
químicos, que lhe comunica o que se está passando
de positivo ou negativo na mente da pessoa. Quando as notícias
são negativas, de estresse, a pele torna-se úmida,
seus vasos se contraem ou se dilatam, aumenta a secreção
sebácea, diminuem suas defesas, sua ecologia se altera e
ela fica propensa a gerar sintomas pelas alterações
a que está submetida.
Daí, pode sofrer alterações anatômicas,
que vão se traduzir como uma inflamação, um
ressecamento, um excesso de oleosidade, uma descamação
exagerada, um espessamento e chegar a uma doença propriamente
dita.
No próximo
artigo, vamos focalizar o que se pode fazer para manter a pele
livre de estresse.
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Colaboração:
Dr. Roberto Azambuja - Dermatologista |