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Ansiedade X otimismo

A indústria está sintonizada com a necessidade de reduzir o estresse ao mínimo no organismo. Atualmente, encontram-se produtos como xampus e condicionadores antiestresse, sapatos antiestresse, água de fonte com selênio antiestresse da pele e outros, que vêm sendo lançados na linha de neutralização do estresse. Parece que a indústria vem incorporando a noção de que tudo o que provoca estresse piora o organismo antes da medicina em geral.

Em face das comprovações científicas dos efeitos do estresse no organismo, todas as especialidades clínicas e cirúrgicas já deveriam ter adotado orientações e terapêuticas antiestresse a serem usadas junto com os tratamentos alopáticos. Isto, porém, ainda não aconteceu, e são poucos os médicos que, por iniciativa e interesse próprios, trabalham no sentido de auxiliar o paciente a impedir que o estresse agrave a condição patológica de que seja portador.

As evidências acumulam-se continuadamente. Na edição de 28/5/03, a revista New Scientist publicou um estudo sobre a ansiedade em 62.591 pessoas, conduzido na Universidade de Bergen, Noruega, de 1995 a 1997. As pessoas foram estudadas com foco em seu nível de ansiedade e patologias desenvolvidas no período da pesquisa. Ficou evidenciado que os indivíduos com nível mais elevado de ansiedade tiveram 25% mais tendência a apresentar doenças malignas e pré-malignas.

Ansiedade, agressividade, depressão

Pesquisas já mostraram que a tensão excessiva no trabalho implica a possibilidade de uma pessoa ter doenças cardiovasculares, inclusive infarto. Os fatores que influíram no resultado foram excesso de exigência no trabalho e pouco domínio do que deve ser executado, esforços mal recompensados, baixos salários, falta de reconhecimento social e limitada perspectiva de carreira na empresa em relação aos esforços realizados.

E uma informação surpreendente foi publicada na revista Health Psychology em novembro de 2002; a de que, entre os fatores do tipo de vida moderna responsabilizados como maiores riscos para o coração, como obesidade, fumo, álcool, colesterol, sedentarismo e estresse, este último, causado pela emoção de agressividade, foi o que mais pesou.

Estudos anteriores já tinham levantado a associação entre estresse psicológico e dois tipos específicos de doenças malignas: os linfomas e o tipo mais grave de câncer de pele, o melanoma, ambos ligados a disfunções do sistema imunitário.

Na pele, além do melanoma, já foi evidenciado que esse órgão é afetado no funcionamento das glândulas sebáceas e dos cabelos, o que leva à ocorrência de dermatite seborreica, acne e certas alopecias (perda de cabelos) por meio de alterações no nível do hormônio regulador da corticotrofina, substância que leva informações à glândula hipófise, desencadeadas pelo estresse.

Assim, o estresse, por qualquer razão, como preocupação, medo, ansiedade, agressividade, tristeza, depressão ou outra, afeta poderosamente a capacidade do sistema imunitário e predispõe a desarranjos moleculares, que vão traduzir-se em doenças.

Otimismo

Interessantes observações isoladas, por outro lado, têm-se voltado para o estilo de pensamento das pessoas e as têm classificado em otimistas e pessimistas. Um estudo com 129 grávidas com alto risco de terem bebês prematuros, conduzido por Marci Lobel e colaboradores, foi publicado na revista Health Psychology em novembro de 2000.

A pesquisa dirigiu-se à expectativa que as pacientes tinham em relação a dar à luz um bebê com baixo peso ou um bebê com peso normal. As mais otimistas tiveram partos mais fáceis e bebês em melhores condições do que as pessimistas, que deram à luz bebês com peso mais baixo. A visão otimista motivou as mulheres a terem melhores cuidados durante a gestação, o que influenciou o resultado favorável; as pessimistas tiveram mais estresse durante o período gestacional e levaram menos a sério as providências necessárias a um parto favorável.

Os pesquisadores concluíram que a falta de otimismo pode ser tão importante para a saúde materna e fetal quanto outros fatores, como o risco médico. O otimismo leva a relaxamento e confiança e melhora o estado geral, diminuindo o perigo de eventos adversos. Outras observações têm correlacionado o otimismo com boa saúde física e mental e o pessimismo com sua deterioração.

Obviamente, inúmeros fatores participam do resultado final de saúde ou doença e não existem meios ainda para comprovar irrefutavelmente que haja uma relação de causa e efeito entre o estado psicológico e eventos patológicos. As circunstâncias, porém, vão clareando cada vez mais o que as pesquisas estão demonstrando por medidas indiretas.

Atenção ao estresse

É preciso, por isso, que as pessoas sejam alertadas para o perigo que viver em estresse constante ou freqüente representa para sua saúde. Todos os recursos capazes de produzirem descontração, relaxamento, calma, otimismo, esperança e autoconfiança devem ser permanentemente exercitados e aplicados ao cotidiano. Muitas doenças serão, assim, evitadas.

Todos os médicos deveriam, a esta altura das pesquisas, saber o que fazer para levar seus pacientes a produzirem mais endorfinas, os hormônios do relaxamento, ao mesmo tempo em que lhes prescrevem medicamentos para intervir em suas células.

Colaboração: Dr. Roberto Azambuja – Dermatologista Sócio Titular da SBD

 

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